Ação

No dicionário, ação, significa “Ato ou efeito de agir. Tudo o que se faz. Manifestação de uma força.”

Se juntar 10 pessoas e lhes perguntar:

– “Quem quiser ganhar uma viagem às Caraíbas, dê um passo em frente.”

O que é que acontece? Assim que acaba a frase todas as pessoas dão um passo à frente. Elas agem, entram em ação, manifestam uma força de vontade imediata. Porquê? Porque algo as motivou a avançar. O facto de poderem ganhar uma viagem de sonho sem terem de fazer nada, despoletou um sentimento na sua mente que de imediato enviou estímulos para a perna avançar.

Bem, mas a vida não é um mar de rosas e, na maior parte das vezes, ela não nos dá o que nós queremos só porque queremos. A maioria das pessoas vive na esperança que aconteça algo de bom, algo que resolva todos os seus problemas. A não ser que passe para a ação, continuará a conseguir o que conseguiu até hoje.

O primeiro princípio para realizar os seus sonhos é acreditar que os pode alcançar, pois se não acreditar, dificilmente os alcançará.

 

A palavra acreditar pode ser confundida com apenas “querer algo”. Quando realmente acreditamos que conseguimos realizar um sonho, esse sonho será realizado. Quando temos a convicção de que vamos ser o melhor na nossa área, então estamos a acreditar convictamente, por outro lado, quando não acreditamos tendemos apenas a tentar melhorar.

Por vezes ouvimos atletas com declarações do género “Eu vou ganhar” ou “Eu vou ser o melhor” ou até “Eu sou o melhor”. Para muitos, estas declarações parecem arrogantes, mas a verdade é que eles acreditam no que estão a declarar, e por acreditarem, conseguem desenvolver a projeção de uma imagem em que se vêm como “os melhores”.

Eu nunca pensei escrever um livro, nunca senti que tivesse o dom da escrita, e sinceramente, agora que o estou a escrever, continuo a achar o mesmo. Obrigado Bill Gates pela correção ortográfica. Mas quando passei pelo meu processo de transformação pessoal decidi que iria escrever um livro onde partilhava as experiências e o conhecimento que adquiri e naquele momento, não tive qualquer dúvida que este livro iria ser uma realidade. É o melhor livro do mundo? Claro que não. Mas eu acreditei que era possível e, mesmo assim, de imediato surgiram as objeções vindas diretamente do “armazém de registos”: “Nem sabes escrever e vais escrever um livro” ou “Vais ser gozado” ou “Vais passar vergonha” ou “Alguém te vai dizer, volta para os desenhos e deixa a escrita para quem sabe” ou “Alguém te vai dizer, olha este, agora tem a mania que é escritor”… Sim, isto aconteceu comigo, mas assumi a responsabilidade e respondi à minha mente “Não, não sou o melhor escritor do mundo, e não vou esconder isso, vou partilha-lo, não tenho grandes competências de escrita, ainda assim, acho que posso ajudar algumas pessoas, por isso vou escreve-lo”.

O facto de ter conseguido controlar as minhas emoções fez com que agisse e começasse a escrever a primeira página e, por acreditar que o livro seria publicado, continuei a escrever página a página. Se não acreditasse que conseguiria escrever um livro, provavelmente já tinha desistido. Assim como se não conseguisse controlar os meus medos, também já tinha desistido.

As pessoas bem-sucedidas não são perfeitas, não são máquinas programadas ao detalhe que identificam todas os problemas e os resolvem sem que se dê por eles.

 

As pessoas bem-sucedidas também erram, provavelmente até mais do que as menos bem-sucedidas, mas conseguem tirar algo de bom dos erros, a experiência e a sabedoria que só um erro pode dar.

 

Se não começa a agir porque tem medo de falhar, pense no pior senário possível. Em muitos dos casos esse cenário é melhor do que o senário atual. Há alguns anos atrás, na minha empresa de comunicação, decidi começar a cobrar aos meus clientes antecipadamente. Não imaginam a guerra que eu travei comigo mesmo para tomar esta atitude. Tinha medo de perder todos os meus clientes e ficar sem negócio. A verdade é que perdi alguns clientes e deixei de angariar outros, mas mais tarde percebi que apenas tinha ficado com os bons e, todos aqueles que perdi eram os maus clientes, que pagavam tardiamente e que colocavam problemas sempre que tinham oportunidade. Esta ação fez com que ficasse apenas com os melhores clientes. Fez com que a minha equipa se pudesse dedicar mais a estes clientes e apesar de serem menos, estava a ganhar mais dinheiro.

O grande problema é que normalmente não está ninguém ao nosso lado para nos ajudar a tomar estas decisões, pelo contrário, está a nossa mente sempre a trabalhar contra nós e, se não tivermos a capacidade de decidir e agir, estamos condenados. É imperativo sair da nossa zona de conforto e começar a fazer as coisas que nos custam e que parecem difíceis. Ao longo da minha vida profissional, e muito devido à minha ansia de ganhar mais dinheiro, desenvolvi mais de 20 negócios que acabaram por ficar na gaveta. Produção de pranchas de snowboard, uma marca de t-shirts, um aplicativo de gestão de casamentos, um aplicativo de desporto, diretórios de empresas e muitos outros negócios que acabaram por não sair da fase de projeto. Porquê? Como designer e web designer, estava completamente à vontade para criar toda a imagem de cada negócio, entre logotipo, imagem corporativa, website, vídeos de apresentação. Tudo o que estava ao meu alcance, dentro da minha zona de conforto aparecia feito, era como se aquele negócio já existisse, mas apenas no computador. Assim que era necessário agir fora da minha zona de conforto o projeto parava porque ainda não tinha percebido que tinha de fazer coisas difíceis e, não apenas o que eu gostava de fazer. Se eu ainda tivesse esse pensamento e essa atitude, este livro não tinha sido publicado, era mais um projeto fechado na gaveta.

A maioria das pessoas tem uma grande dificuldade em expor as suas fraquezas quando tem vergonha de assumir que querem emagrecer, ou a dificuldade de assumir que o negócio não funciona e tem de fechar as portas. Mas o grande segredo para conquistar convicção e determinação, é assumir as fraquezas, é assumir e partilhar que é difícil perder peso, é difícil resistir à tentação de comer guloseimas, é difícil assumir que fizemos um mau negócio. Mas por incrível que pareça, estas derrotas e o facto de as assumirmos normalmente jogam a nosso favor. Eu também não estou aqui a partilhar consigo os milhares de euros que ganhei no negócio A ou no negócio B, eu estou aqui a partilhar consigo as minhas dificuldades, e como estou a tentar dar a volta. Precisamos de ser autênticos e não nos escondermos por detrás de logotipos, capas ou imagens manipuladas por filtros. As pessoas procuram autenticidade e algo com que se possam identificar, o que quer dizer que se assumirmos as nossas fraquezas, provavelmente teremos mais apoio dos outros e teremos menos restrições para agir com convicção.

Em conversa com o meu amigo Pedro Silva-Santos surgiu a pergunta, “Porque é que nós conseguimos ter tempo para nós, e a maior parte dos nossos colegas com negócios não tem tempo para nada?”. Depois de 30 minutos de conversa chegámos à seguinte conclusão: nós também já estivemos nessa posição em que não tínhamos tempo para nada, inundados de trabalho, tarefas, reuniões e preocupações. Mas demos conta que existiam pessoas com muito mais empresas, e que tinham bastante tempo disponível para eles. Então começámos a ler sobre essas pessoas, a comprar livros, a estudar, a falar diariamente sobre estes assuntos, a tomar algumas medidas e pouco a pouco foram acontecendo mudanças com impacto gigantesco nas nossa vidas.

Basta acreditar que é possível e agir. A mudança pode não acontecer de um dia para o outro, mas quando provar um pedaço desta “liberdade”, será difícil voltar ao estilo de vida que não lhe permite viver uma vida digna. Confesso que hoje tenho hábitos, principalmente nos negócios, que alguns anos atrás jamais faziam sentido para mim. Simplesmente não acreditava que fosse possível alterar pequenas coisas que tem um impacto positivo tremendo. Por exemplo, a primeira coisa que fazia quando chegava ao escritório era consultar o e-mail, entretanto já tinha lido sobre este assunto e decidi aplicar um horário específico para ver os e-mails. O facto de começar a ver os e-mails na primeira hora, faz com que se desencadeie um conjunto de novas tarefas que se sobrepunham às tarefas que estavam agendadas para aquelas horas. Episódios como: “A resposta a este e-mail é rápida, vou responder e fica resolvido”, entretanto 10 minutos depois já tinha uma resposta à minha resposta, à qual teria de responder também. Chegou um documento por e-mail, “Vou imprimi-lo já e guarda-lo no dossier certo”. Um novo cliente quer marcar uma reunião “Vou responder rápido para o cliente ficar impressionado” …

Facilmente entramos em modo de “apaga fogos” e de repente já são horas do almoço. Tudo o que tinha para fazer ficou para trás, sinto-me cansado e não sinto que fui minimamente produtivo.

Demorei algum tempo até conseguir sair desta ratoeira, mas quando consegui alterar este hábito o que aconteceu? Aconteceram coisas fantásticas. Por vezes passava dias sem consultar o e-mail, isto para mim era impensável alguns anos atrás, e quando consultava os e-mails, a maioria deles já estavam resolvidos, porque comecei a delegar a maioria dos assuntos na minha equipa. Outros e-mails resolviam-se sozinhos, por exemplo, alguém me pedia por e-mail uma imagem que tinha desenvolvido há um ano atrás, e passado algumas horas recebia outro e-mail a dizer “já não é preciso, já encontrei”. Pense assim, se o assunto for realmente urgente, que não possa esperar, as pessoas vão telefonar, não vão enviar um e-mail.

Estas pequenas alterações tem um impacto positivo gigantesco, quer a nível pessoal quer profissional.

 

Mais uma vez, não estará ninguém ao seu lado para o ajudar a tomar estas decisões, terá de sair da sua zona de conforto e tomar decisões difíceis e desconfortáveis.

 

Muitas vezes as pessoas tentam agir, fazem coisas, tentam alterar hábitos, lutam contra elas mesmas, tal como eu estou a fazer e sugerir que faça, mas ainda assim desistem porque não veem resultados. Lembra-se na escola primária, de plantar um feijão num frasco de vidro com terra? Conseguíamos ver o feijão a germinar porque o vidro era transparente e, conseguíamos acompanhar o crescimento das raízes do feijão durante dias até que começasse a espreitar para fora da terra. Ora, se o frasco não fosse de vidro não conseguiríamos ver aquele processo de crescimento, não podíamos ter a certeza se o feijão tinha germinado ou se tinha apodrecido, só quando começasse a espreitar pela terra é que veríamos resultados. Este exemplo ajuda a explicar porque é que algumas pessoas desistem, por não verem resultados e, a resposta à maioria das pessoas seria “Pararam cedo de mais” Não há um prazo para todas as suas novas ações surtirem efeito. Pode demorar um dia, uma semana, um ano ou até vários anos. Isto foi um tema que levei vários anos a compreender e entender.

Se começou a praticar desporto para perder peso e, em duas semanas não perdeu peso, continue, o prémio chegará, não pare até ver o prémio. Se decidiu criar um negócio e ainda não conseguiu nenhum contrato, continue a tentar. Pode experimentar fazer diferente, mas não pode desistir porque pode desistir mesmo quando o feijão está a segundos de sair da terra.

 

Assim que começar a agir terá o poder de controlar a sua vida! Sim, porque como já referi, a maioria das pessoas não controla a sua própria vida. No verão passado falei com dois amigos que estavam emigrados na Suíça, um já emigrou há bastantes anos e o outro emigrou recentemente, falámos várias horas sobre o estilo de vida, as dificuldades, o dinheiro, entre outros assuntos… Mas lembro-me que os dois disseram algo muito idêntico que me despertou a atenção, que foi “Se eu não tivesse comprado casa em Portugal, talvez pudesse tomar outras decisões, quem sabe voltar para Portugal e abrir um negócio, mas enquanto não pagar a casa não me posso dar a esse luxo.” A maioria das pessoas sofre deste paradigma, são reféns de uma casa, “Não posso deixar o meu emprego porque tenho uma casa para pagar” Não estou a dizer com isto que comprar uma casa é algo mau, o que é mau e viver dependente de decisões tomadas no passado que o impedem de agir e de ir ao encontro de uma vida digna de ser vivida. Se não tivesse nenhuma conta para pagar e se não tivesse nenhuma dependência, o que estaria a fazer hoje? Tenho a certeza que seria diferente do que fez ontem. Tudo isto faz sentido, e espero que faça sentido para si também, mas percebo-o (imaginando o que está a pensar) “Como é que eu me vou livrar destas dependências? Eu preciso delas… além disso eu sempre sonhei ter uma casa”

Por isso é que é tão difícil ser bem-sucedido, porque é preciso tomar decisões bastante difíceis, por vezes horrorosas.

Mais à frente falarei do “controlo de ambição”, porque muitas vezes a ambição desmedida é nossa inimiga. Comprar uma casa a crédito é uma ambição desmedida. Lembra-se do que o meu mentor uma vez disse? “Andamos todos em rebanho, e precisamos de ser a ovelha desertora, porque todas as outras acabam no matadouro”.

Imagine que a cultura dos portugueses era viver em casas alugadas, toda a gente alugava uma casa para viver com a sua família, podiam mudar de casa quando quisessem, para uma melhor ou pior consoante o rendimento, imagine que era o que todos os seus amigos faziam. Pensaria em contrair um empréstimo a 30 anos, para comprar uma casa que o fará refém dela? Estou curioso para saber qual seria a sua resposta. Ainda assim alguns vão dizer “Mas a casa é um investimento”. Eu não sou especialista em economia, mas tudo o que tenho aprendido é que, a casa que compramos para viver, não é um investimento, mas falaremos disto mais à frente.

Faça um exercício: liste as coisas e as pessoas que controlam a maioria das decisões da sua vida e analise se fazem sentido e, lembre-se do impacto controlador que o seu “armazém de registos” pode ter nos seus pensamentos.

 

Quando começar a agir, e a tomar decisões que poderão mudar a sua vida, tenho a certeza que começarão a cair críticas e a ser julgado. Todos vão querer opinar, principalmente da sua família, amigos e conhecidos. Bem, vai ter de lidar com isso, mas posso dizer-lhe duas coisas. Quem gosta realmente de si, como por exemplo os seus pais, vão dar-lhe conselhos baseados em emoções, porque querem o melhor para si, querem protege-lo, por isso dar-lhe-ão, na maioria das vezes conselhos para não se prejudicar, não se magoar ou não sofrer, tal como a nossa mente. Aqueles que não gostam realmente de si, mas dizem-se seus amigos, vão criticá-lo, principalmente pelas costas. Porque? Porque eles próprios não tiveram a coragem de tomar a decisão que tomou, e a maneira de compensarem essa falta de coragem é reforçar a ideia que você tomou uma má decisão.

Tente rodear-se de pessoas que o possam ajudar e não deitar abaixo. Tenho um plano para as pessoas que me rodeiam, tenho um mentor, modelos que sigo e que me identifico e peritos que me ajudam a ser melhor. É preciso que essas pessoas sejam, em alguma área, melhores que você, só assim aprenderá algo. Já diz o provérbio “Junta-te aos bons e serás como eles; junta-te aos maus e serás pior que eles”.

 

Alguma vez teve uma ideia de negócio, ou pensou em fazer algo de diferente na sua vida e, ao partilhar isso com alguém, esse alguém não percebeu, não acreditou ou não ficou entusiasmado? Já aconteceu comigo, depois de vários dias a montar uma estratégia, a encontrar e resolver pontos fracos, a visualizar os objetivos e acreditar que é uma grande ideia, partilho com alguém e esse alguém diz “Não acredito em nada disso” Porque é que isto acontece? Porque as pessoas não têm a sua visão. Qual é o significado de visão: “Ver além das circunstâncias, ter noção do resultado do seu trabalho antes mesmo de terminá-lo”. Agora acrescente-lhe uma dose de loucura, uma dose de irreverência, uma dose de alegria e uma dose de paixão. Acha que as pessoas conseguem ver a sua visão? Não, não conseguem e, por isso vão critica-lo. Você pode agir em silêncio ou pode ir mais à frente, expôr-se às criticas e usá-las como catalisador para atingir os seus resultados. Se realmente acreditar na sua visão, e se for integro, no final, os críticos vão perguntar-lhe como fez. E se falhar? Nesse caso tente de novo.

 

Sentir apoio das outras pessoas sabe bem, mas não é o que define o seu sucesso ou insucesso, o que irá definir o seu sucesso é acreditar, agir, ser disciplinado e ser consistente.

 

Seja em que área for, vai sentir dúvidas, vai sentir cansaço, e vai sentir incertezas, não tenha dúvidas disso. Vai falhar? Provavelmente sim, mas não implica que pare de tentar e lutar pelos seus sonhos e, se se focar, apenas no falhanço, adivinhe o que vai acontecer? Mais falhanços. A nossa vida torna-se naquilo que pensamos, pense em sucesso e vai atingir o sucesso, pense nos falhanços e apenas vai conseguir mais falhanços, pense nas dificuldades e apenas vai conseguir mais dificuldades, nunca se esqueça que os seus pensamentos passaram a ser as suas palavras que se transformam em atos.

 

Se disser a uma pessoa “eu amo-te” o que receberá dessa pessoa? Provavelmente “eu também”. Se disser “eu odeio-te” o que receberá? Provavelmente mais do mesmo “eu também”.

 

Receberá sempre o mesmo que passar para o exterior, por isso, a não ser que mude o que tem passado para o exterior, irá continuar a receber o mesmo.

 

 

Têm tanta razão aqueles que dizem que é possível como aqueles que dizem que não é possível. É uma ordem que estão a dar à sua vida, às suas crenças, sentimentos, palavras e ações e funciona como uma lamparina mágica “o teu desejo é uma ordem”. Portanto, se tudo em que pensamos, pode tornar-se uma realidade, tenha cuidado com o que pensa.

Mais uma vez reforço, que não é por “os astros se alinharem” que a vida lhe dará tudo o que sonha, a vida dá-lhe aquilo que merece e não aquilo que quer.

Se quiser guardar o essencial deste capítulo, guarde na sua mente: acreditar e agir com disciplina e consistência. Este é o segredo.

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