A palavra “motivação” está em todo o lado. Nas palestras, nos livros, nos vídeos cheios de música épica… até no ginásio, onde parece ser obrigatória para levantar um peso. Mas será que alguém já parou para pensar: quem é que inventou isto?
Será que sempre precisámos de motivação para fazer coisas?
Ou será que antigamente se fazia simplesmente porque tinha de ser feito?
Fico a pensar se a motivação não será uma palavra bonita para justificar o que, no fundo, é só ação crua. Talvez a motivação seja apenas a história que contamos a nós próprios para tentar dar um ar mais heróico ao ato de… levantar da cama.
E se em vez de andar à procura de motivação, olhássemos para ela como uma invenção recente, quase uma moda? Talvez isso nos alivie a pressão de achar que temos de sentir sempre alguma coisa especial para começar.
Olho à volta e a sensação é esta: toda a gente está motivada, menos eu.
Uns acordam às 5h da manhã para correr, outros escrevem frases inspiradoras no LinkedIn, outros juram que vivem cheios de energia todos os dias…
E eu? Acordo e às vezes só me apetece ficar quieto.
E depois sinto-me mal, porque penso: “se calhar sou eu que tenho um defeito qualquer, porque motivação não aparece para mim”.
Mas será mesmo que os outros estão sempre motivados?
Ou será que aprenderam a mostrar só os momentos em que parece que estão?
E se a motivação não for esse combustível mágico que todos pintam, mas apenas uma coisa que aparece de vez em quando, sem horário marcado? Se for assim, talvez não valha a pena ficar à espera dela. Talvez o segredo (se é que existe segredo) esteja em mexer primeiro e esperar que a tal “motivação” venha depois… ou não venha de todo.
Será que precisamos mesmo dela, ou será que só precisamos de aceitar que não é obrigatória?
Imagina não ter de esperar por aquele sentimento certo para começar.
Imagina aceitar que a maior parte dos dias vai ser normal, sem explosões de energia, sem frases épicas na parede.
Será que não é precisamente isso que nos liberta?
A ideia de que não precisamos de estar “inspirados” para dar um passo?
E se a motivação for apenas um efeito colateral, algo que surge depois de já termos começado?
Talvez não seja a faísca, mas sim a consequência do movimento.
Talvez a questão não seja “como arranjo motivação?”, mas sim:
“o que posso fazer agora, mesmo sem vontade?”
E, quem sabe, a tal motivação aparece no caminho.
Ou então não…