Porque parece tão difícil?

O que sente quando olha para uma pessoa bem-sucedida, com muito dinheiro, com carros luxuosos e com casas magníficas? Provavelmente pergunta-se, como conseguiu ele aquilo tudo, o que tem ele de especial? Será que possui muito dinheiro porque os pais já eram abastados e ele herdou aquilo tudo? Será que é uma pessoa que já nasceu com características extraordinárias? Enfim, normalmente pensamos em várias hipóteses, às vezes até dizemos, “pois com pais ricos também eu” ou então “deve ter feito muitas falcatruas para ter o que tem”.

A partir deste momento, gostava que fizesse um exercício, vai deixar de pensar nos outros, porque o que os outros têm ou não têm, não lhe vai acrescentar nada a si. A sua posição atual é o reflexo do que pensou e do que fez no passado, e se não mudar a forma como pensa, apenas conseguirá mais do mesmo que tem conseguido. Este é o seu desconforto, o facto de não conseguir aquilo que acha que merece. Muitas pessoas compram coisas, muitas vezes com dinheiro que não tem, para preencher um vazio, o vazio de não ganharem o dinheiro suficiente que lhes proporcione uma vida digna, e por isso adquirem coisas para sentirem um pico de energia e poder, é como se fosse uma droga, compra-se mais uma coisa para sentirmos poder. Mas tal como uma droga o efeito desvanece, e a energia que sentimos ao comprar algo desaparece rapidamente. Acabamos por cair nestas ratoeiras, um ciclo vicioso em que muitas pessoas se encontram e não conseguem sair.

A única forma de começar a conquistar aquilo que sempre sonhou, é agir e, começar por fazer aquelas pequenas coisas que parecem tão difíceis, mas são tão simples. Lembro-me que no dia em que comecei a fazer desporto, na hora programada para sair do escritório para me equipar e começar a correr, senti um íman poderosíssimo que me prendia à minha cadeira confortável, estava tão bem a fazer “scroll” no Facebook, a “explorar” a vida pessoal dos outros… Estava mesmo confortável e não queria sair dali.

Tenho a certeza que já lhe aconteceu o mesmo. Ou de manhã quando tem de se levantar cedo para ir para o trabalho, ou quando arranjou desculpas para não começar a fazer desporto, ou quando sentiu uma enorme vontade de fumar, justamente no dia que tinha decidido deixar de fumar…

Deixe-me dizer-lhe uma coisa dura e crua, vai ser sempre assim, não haverá ninguém ao seu lado para ajudar, para o motivar ou influenciar a tomar as decisões certas. Ou desenvolve capacidades que o ajudarão a tomar decisões inteligentes, ou então não conseguirá mudar nada e continuará a conseguir o que sempre conseguiu.

Um dos primeiros passos a dar para conseguir alterar os seus comportamentos é compreender e entender o que acontece consigo nesses momentos. Normalmente, no dia a dia, andamos em piloto automático. Fazemos sempre as mesmas coisas de manhã quando nos levantamos, normalmente comemos sempre a mesma coisa ao pequeno almoço, sentamos-mos sempre no mesmo lugar, fazemos sempre o mesmo caminho para o trabalho, não há mal nenhum nisso, mas temos de perceber que é um ciclo vicioso e o responsável por este ciclo é a nossa mente.

Podemos achar que não fazemos aquelas pequenas coisas que podem mudar completamente a nossa vida, porque somos preguiçosos, porque não temos disciplina, porque não temos motivação, ou simplesmente achamos que não somos capazes. Mas na verdade é a nossa própria mente a tentar proteger-nos.

Sempre que tentamos fazer algo que é difícil, a nossa mente protege-nos. Ela protege-nos do medo, do risco, da vergonha e do sofrimento. Na maior parte das vezes as nossas decisões são tomadas com base em emoções e sentimentos e não com base na razão. É por isso que algumas pessoas sentem uma tremenda resistência em apresentar-se a pessoas estranhas, por exemplo. Acontecia comigo também, e confesso que ainda acontece, quando estou num congresso, ou numa palestra em que gostava de me apresentar a alguém para trocar algumas impressões e sinto uma resistência enorme. O que é isto? São as emoções a falarem mais alto que a razão. Na minha mente há uma luta entre a emoção e a razão, por um lado a emoção diz “não vás, vais passar vergonha, ninguém vai querer falar contigo e vais engasgar-te quando começares a falar” por outro lado a razão diz “vai lá, começa a falar com alguém, ninguém morde, o que poderá acontecer de mal? Nada.” O problema é que normalmente esta luta mental é sempre ganha pelo lado emocional. A sua mente vai tentar, a todo o custo, mantê-lo longe do sentimento de vergonha ou do desconforto.

Apenas o facto de perceber que isto lhe acontece, já é meio caminho andado para o sucesso. Eu continuo a sentir vergonha quando subo a um palco para fazer uma palestra, mas agora aprendi a controlá-la. Ela está lá comigo, mas sei relacionar-me com ela, encontrei uma forma de chegar a um “acordo”. Como consegui? Falo com a minha mente, no meu subconsciente, como já referi antes. Quando estou bem-disposto digo-lhe, “tem calma, eu sei que me queres proteger, mas vai ser bom para nós” ou então, nos dias em que estou com má disposição, digo apenas “vai-te fod…”.

É incrível como as nossas decisões podem influenciar o nosso futuro.

 

A bem dizer, somos a soma de todas as decisões que tomamos, e é incrível como conseguimos “sabotar” as nossas decisões, tornando difícil, e muitas das vezes impossível, o caminho para o sucesso.

 

Agora já sabe que não existe nada de errado consigo. Agora sabe que não toma aquelas pequenas decisões que podem mudar a sua vida, porque é comandada por emoções e não pela razão. A sua mente tem a capacidade de boicotar as boas decisões, porque está a tentar protegê-lo de se magoar.

Já reparou que os pais estão constantemente a dizer aos filhos, não faças isso, ou não comas isso, não saltes no sofá, vai lavar as mãos. Se não fossem os pais, as crianças passavam o dia a brincar, apenas comiam quando a mente lhes dissesse para comer e apenas dormiam quando a mente lhes dissesse para descansar. Os pais não deixam que as emoções controlem as crianças, relembrando sempre as crianças da razão. É uma pena não termos toda a vida alguém que nos chame à razão. O que é facto é que quando nos desprendemos dos nossos pais, começamos a pensar por nós e a tomar as nossas próprias decisões, e como já vimos, nem sempre são as melhores.

Muitas vezes acabamos por cair num ciclo vicioso de tarefas, pensamentos e emoções, e quanto mais pensamos nelas, mais lhe damos força. Quanto mais pensamos que vai custar fazer aquela coisa, vai custar ainda mais.

Portanto, porque é que as pessoas bem-sucedidas conseguem? Porque tem a capacidade de tomar decisões onde a razão prevalece e as emoções ficam de lado. Muitas vezes são conotadas como pessoas más, sem escrúpulos e frias. Contudo, são estas decisões que os fazem crescer, e alcançar tudo o que desejam e sonham. A vida dá às pessoas aquilo que elas pedem, o segredo está na forma como essas coisas são pedidas. Uma vez um senhor muito rico descia uma rua quando se cruzou com um pedinte que lhe disse:

“Dê-me uma esmola, um euro por favor”.

O homem rico tirou a carteira do bolso, abriu a carteira e retirou uma moeda de um euro para o pedinte. Ao abrir a carteira o pedinte reparou que a carteira estava cheia de notas de 50 euros, e sem demoras disse:

– “Pode dar-me mais qualquer coisa?”

“Não, já te dei o que pediste”. Respondeu o homem!

 

É claro que é uma história, mas representa bem a mensagem que quero passar. A vida dá-nos aquilo que pedimos, mas não basta gritar para o céu a dizer que quero um carro uma casa ou muito dinheiro. É preciso agir e fazer por isso, é preciso fazer coisas difíceis, e coisas que nos obrigam a sair da nossa zona de conforto. É preciso fazer coisas que nos colocam em posições desconfortáveis. A vida nunca nos dá aquilo que queremos ou desejamos, a vida dá-nos aquilo que merecemos.

Na verdade, atingir todos os seus objetivos, quer pessoais quer profissionais é muito simples, mas é difícil. Vou repetir, é simples, mas é difícil. Os processos são simples. Se os esquematizarmos numa folha de papel parecem simples, mas torna-los realidade torna-se muito difícil. Isto acontece porque não somos máquinas que apenas operacionalizamos ordens de um chip. Pelo contrário, na maioria das vezes, somos comandados por emoções e sentimentos.

Se quer emagrecer tem de ter hábitos alimentares saudáveis e prática de desporto regular. É tão simples. No entanto, é muito mais fácil ficar no sofá a navegar nas redes sociais enquanto tomamos uma solução que comprámos na farmácia para emagrecer.

Quando tomar consciência que é simples atingir os seus objetivos, que terá de fazer sacrifícios, que são conquistas a longo prazo e que terá de criar uma batalha constante com a sua mente para não desistir, aí sim, ficará preparado para conquistar tudo o que pretende e que sonha. Com alguma sorte, a sua mente criará um novo ciclo vicioso, e o que antes era um sacrifício, agora passa a ser uma dependência essencial e natural, que transforma o seu corpo e mente numa máquina de realizar sonhos.

Um dia uma jovem estava a nadar no mar, perto da praia, mas a corrente afastou-a da praia e começou a entrar em pânico.

Opção 1: deixa-se levar pelas emoções e pelo sentimento de pânico, o coração começa a bater como se fosse sair pela boca, a respiração ofegante, começa a tentar nadar para a costa leva com uma onda em cima e puufff, sem ar suficiente nos pulmões, desmaia.

Opção 2: ao ver que se está a afastar da costa, respira fundo, controla as emoções e o sentimento de pânico, e começa a pensar, o que posso eu fazer? Em primeiro lugar, inteligentemente decidiu começar a boiar para não gastar demasiada energia, em segundo olhou à sua volta para ver se havia alguém ou algo por perto que a pudesse ajudar. Passados alguns segundos avista um surfista a entrar na água a quem acabou por pedir ajuda. Como é obvio, esta jovem continuou com medo e pânico, mas conseguiu que estes sentimentos não interferissem no seu comportamento.

 

Saber controlar as emoções pode salvar-lhe a vida. Quase todas as decisões que tomamos, primeiro passam pelo “crivo” das emoções e sentimentos.

 

Controlar as emoções e os sentimentos faz com que comece a praticar desporto em vez de se lamentar porque não gosta do seu corpo. Faz com que se sinta bem consigo mesmo e não passe a vida a arranjar desculpas ou culpar os outros. Faz com que ganhe a coragem para enfrentar as situações mais difíceis no trabalho. Faz com que faça uma gestão melhor do seu negócio e até melhorar o relacionamento com a sua equipa de trabalho.

Já percebemos que é simples, agora cabe-lhe a si tomar a decisão de enfrentar tudo aquilo que é difícil e dar uma oportunidade a si mesmo de ser feliz e bem-sucedido.

No fim de semana passado decidi passar numa escola de aviação para me matricular na próxima formação de piloto, para conseguir o Brevet (documento que dá permissão para pilotar aviões). Tenho uma paixão enorme por aviões e decidi que estava na altura de conquistar mais um sonho, pilotar um avião.

Já tinha pensado nisto há vários anos, mas nunca tomei a iniciativa e nunca dei o primeiro passo. Inclusive, os resultados dos testes psicotécnicos que fiz no 9º ano de escolaridade, para definir que área seguir mostraram Artes ou Força Aérea. Escolhi Artes, e ainda estou para descobrir se fiz a escolha certa. Foi uma decisão, como todas as outras, que molda o nosso futuro. Portanto a paixão pela aviação remonta a bem novo e só 20 anos depois tomei a decisão de dar o primeiro passo e fiz a minha inscrição. Como vou pagar? Como vou arranjar tempo? Ainda não pensei nisso, porque se tivesse deixado que as emoções tomassem a decisão “não te inscrevas porque podes não ter dinheiro para pagar” ou “não te inscrevas porque não vais ter tempo” nunca teria tomado a iniciativa. Passei por cima das emoções e sentimentos que me impediam de realizar o meu sonho. Mais uma vez tive de falar com a minha mente “eu nasci para viver os meus sonhos, não vou morrer sem alcançar este sonho também, eu tenho coragem.”

No dia seguinte comentei com o meu amigo Pedro Silva-Santos este episódio e perguntei-lhe se ele tinha alguma “adoração pela aviação” e ele respondeu,

“Sim quero tirar o Brevet”.

Radiante com a resposta dele, perguntei, porquê? E ele respondeu:

– “Porque tenho medo de alturas, e vai ser a forma de vencer o meu medo”.

Já estou a imaginá-lo… com medo de alturas e a avioneta a tremer por todos os lados… vai ser desafiante!

 

Este é mais um exemplo de como temos de fazer coisas difíceis para alcançar os nossos objetivos e os nossos sonhos.

É muito importante ganhar a autoconsciência, dos nossos medos, restrições e objeções que nos impedem de fazer pequenas coisas que podem mudar a nossa vida, e conseguir desenvolver um autocontrolo para tomar as decisões certas, mesmo que sejam difíceis de tomar.

Quando comecei a praticar desporto, uma das modalidades que praticava era a corrida. Sempre que corro vou a ouvir música ou podcasts no telemóvel. Uso também uma aplicação para controlar a distância, tempo, altitude e outros dados relacionados com a prestação do utilizador. Um gadget que estava na moda eram os relógios desportivos, em que podemos emparelhar com o telemóvel e visualizar outros dados como a pulsação que é sempre importante.

Depois de uma pesquisa na internet vi um relógio desportivo que me agradou muito e decidi compra-lo numa loja. A certa altura estava com o relógio na mão e fiz as duas perguntas que faço sempre que compro algo: “quanto vai valer daqui a 5 anos?” e “preciso mesmo disto?”. De repente virei costas e fui-me embora, nem precisei de discutir com a minha mente, estava a cair na ratoeira do consumismo. Precisava de algo que me desse poder e aquela compra iria transmitir uma sensação de poder momentânea. É importante medir as pulsações enquanto corro? Sim é. É determinante para manter o meu plano de corrida? Não, não é. Talvez um dia o compre, mas não pelas razões que me estavam a motivar naquele momento, sentir a sensação de poder.

Talvez um dia, quando o meu nível de esforço na corrida mereça um acompanhamento mais sério e pormenorizado ou por motivos de saúde, aí sim, talvez o compre, como um investimento na minha saúde e não no meu ego.

Respondendo às perguntas, daqui a 5 anos não vai valer nada ou quase nada, pelo facto da tecnologia evoluir constantemente, e não, não preciso dele.

Depois de nos treinarmos na tomada destas decisões tudo parece mais fácil. Ter a capacidade de dizer “não” a certas coisas é uma virtude e uma característica que todas as pessoas bem-sucedidas possuem. Se tem uma empresa, já lhe aconteceu, facilitar um pagamento ou outra situação a um cliente porque não teve a coragem de dizer “não”. Por vezes pensamos “tem de ser porque posso perder o cliente” ou “não me posso dar ao luxo de ser tão arrogante”. O que acontece é que na maior parte das vezes, o facto de não dizermos “não” estamos a assumir o problema dos outros. Se o seu cliente pede mais 30 dias para pagar, está a assumir que assegura a falta de dinheiro do seu cliente. Um empresário é uma pessoa que lucra com os problemas que outros empresários não conseguem resolver, portanto, se não está a ganhar nada com isso, então não está a ser um empresário.

Se o seu amigo lhe pede emprestado o carro, está a assumir todos os problemas do seu amigo, está a assumir o desgaste do carro, está a assumir a probabilidade de um acidente, está a assumir a responsabilidade de uma multa.

É difícil dizer que não a um amigo ou a um cliente e, em algumas ocasiões não é possível, temos de ser razoáveis. Mas temos de ter noção de que todas as pequenas decisões que fazemos tem consequências, umas boas e outras más. Tente ser inteligente e minimizar as más.

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