Se está a ler este artigo, é porque provavelmente tem um negócio e preocupa-se com os seus clientes, incluindo os ativos, e novos clientes.

Caso não saiba, a minha área de atuação é a comunicação das empresas, por isso vou cingir-me a comentar este assunto no que me diz respeito.

A resposta à pergunta que é feita no título deste artigo (qual é o segredo para conquistar um cliente) é tão simples, que muitas vezes não a vemos com clareza, e temos a tendência para complicar as coisas.

Tenho a certeza que você sabe a resposta, e por isso é você que vai responder a esta pergunta. Vamos lá, eu ajudo.

Vou começar por lhe contar uma história, em 2007 estava a sair de uma pastelaria e reparo numa jovem, linda de morrer que estava sentada na esplanada dessa pastelaria, olhei fixamente nos olhos dela, e ela fez o mesmo. Foram apenas um ou dois segundos, mas que me fizeram sentir uma das melhores sensações que podemos ter, eu demonstrei interesse com um olhar e ela respondeu da mesma forma.

Ao afastar-me daquela esplanada, pensava, volta para traz, vai ter com ela e diz-lhe alguma coisa, mas não tive coragem, tive aquela sensação de que poderia não ter outra oportunidade.

Felizmente, encontrei-a novamente numa saída com amigos, e o episódio repetiu-se, uma troca de olhares que demonstrava interesse de ambas as partes.

Mais tarde acabamos por interagir numa rede social, o Hi5 (era a rede social da moda na altura). Conversámos (virtualmente) por alguns dias, e numa sexta feira, combinamos uma saída com amigos. Passamos toda a noite a conversar, partilhamos histórias, vivências, alegrias…

A Susana, (a jovem linda de morrer) é hoje a minha esposa, e temos dois filhos lindos 🙂

Mas o que é que isto tem a ver com a comunicação das empresas? Tudo!

Muitas vezes temos uma grande dificuldade em comunicar a nossa própria empresa, o nosso negócio e o nosso produto/serviço, ou simplesmente a comunicar bem, já que a maior parte das empresas comunica de uma forma pouco eficaz.

Mas todos nós somos mestres a comunicar, comunicamos com excelência quando acordamos os nossos filhos com beijinhos, ou quando conseguimos encontrar a mulher da nossa vida. No entanto temos a tendência natural de complicar, quando se trata de comunicar o nosso negócio.

Vamos dar um exemplo, muitas empresas utilizam o chavão “qualidade e profissionalismo”, era o mesmo que eu dizer à Susana, a primeira vez que a vi, o seguinte: Olá, eu sou o Ricardo, se quiseres ser minha namorada, eu sou querido e amoroso... Por mais que ela quisesse uma pessoa querida e amorosa, com aquela conversa, não tenho dúvidas que iria fugir a sete pés…

Não tenho nada contra o chavão “qualidade e profissionalismo” assim como não tenho nada contra o ser “querido e amoroso”, mas acham que alguém vai comprar o vosso serviço por publicitar “qualidade e profissionalismo”?

Ou então o grande chavão dos anos de existência “15 anos de experiência”, mais uma vez era o mesmo que eu dizer à Susana: Olá, eu sou o Ricardo, e tenho mais de 15 anos de experiência em relações amorosas… 🙂

Mais uma vez, não tenho nada contra estes chavões, acho que eles devem ser utilizados, mas de uma forma diferente.

Quando utilizamos o termo “compre já, não perca mais tempo” apenas estamos a mostrar desespero, e necessidade extrema de vender. Por outro lado, se contarmos uma história de alguém que comprou o nosso produto/serviço, e como o nosso produto/serviço melhorou a vida daquela pessoa ou empresa, estamos a vender o nosso produto/serviço de uma forma natural.

A melhor forma de vender o nosso produto/serviço é não tentar vender o nosso produto/serviço, é fazer com que as pessoas nos procurem, em vez de andarmos sempre a tentar vender algo alguém.

Como é que conquistamos o nosso cliente? Da mesma forma com que conquistamos a nossa companheira ou companheiro, ou como conquistamos os nossos filhos, partilhando, criando conversas, ensinando, criando valor…

Tenho a certeza que também você, é um mestre a comunicar, com os que ama. Faça-o na sua empresa também.

É possível fazer isto para novos clientes? Claro que sim, mas vamos deixar esse assunto para o próximo artigo 🙂